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Atenas, Paris, São Paulo, Nova York Angelos Camillos
Nova York, 2000
Por mais de meio século, eu e Vlavianos compartilhamos memórias peripatéticas: Grécia nos tempos de menino, Paris nos tempos de estudante,
Brasil durante boa parte da vida adulta e Nova York na maturidade. É com especial orgulho e afeição que representamos o trabalho desse amigo fraterno que é, acima de tudo, um escultor completo e muito talentoso.
Vlavianos percorreu um longo caminho desde os primeiros anos. Tive o privilégio de acompanhar sua evolução e participar do processo de dar voz e forma aos valores estéticos profundamente arraigados em sua vida e em seu trabalho, sublinhando-os e definindo-os.
Antes de alcançar o que chama de "estado de vigilância permanente", em que criação e pesquisa evoluem simultaneamente, Vlavianos teve que romper com a estrutura inerentemente arcaica que dominou o seu pensamento e trabalho. Sua arte desenvolveu um produto de muitos "laboratórios", tanto em seu país nativo quanto no exterior, e ele refinou o aprendizado inicial com extraordinária engenhosidade, coragem e a mente aberta para o futuro. O resultado não é uma rejeição à tradição, mas uma ampliação dos seus ensinamentos. Vlavianos conseguiu ver a arte como um processo evolutivo, utilizando componentes e informações do passado, ao mesmo tempo em que explora as potencialidades do presente. Cada obra sua é resultado desse precedente, representando a soma da pesquisa constante com a análise desses potencial.
Suas esculturas metáforas visuais são variações de uma imagem central, da qual nascem como uma prática. Para Vlavianos, a multiplicidade das diversas aparências que compõem o universo revela-se como manifestações da mesma força vital. A coexistência de impulsos inatos com uma racionalidade intelectual, inerente na arte de Vlavianos, reflete de forma espontânea e atávica tanto a presença do apolíneo como a do dionisíaco.
As idéias não dependem dos meios, mas a estética sim. Em seu trabalho, Vlavianos usa as ferramentas e a tecnologia do seu ofício numa exploração contínua desses meios para atingir sua meta expressiva. Não é por acaso que ele escolhe o aço. Ao modelá-lo e soldá-lo, ele se empenha em captar a essência: o momento em que a forma torna-se figura e o gesto momentâneo é registrado para sempre, infenso a mudanças.
Sua infinita fascinação pela escultura e a pesquisa constante das possibilidades dessa arte é ao mesmo tempo um desafio e uma labuta de amor. Como suas idéias evoluem do esboço no papel à definição final da obra, a entrega de Vlavianos ao seu ofício é reforçada pela crença nos valores essenciais, e o resultado é uma afirmação de força, clareza e razão integradas.
Angelos Camillos
Nova York, 2000

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