Vlavianos, passado e presente / Vlavianos, past and present
Paris 1956 -1961
Vlavianos e Paniaras / Vlavianos and Paniaras
Os anos 60: Vlavianos / The sixties: Vlavianos
Vlavianos, escultor / Vlavianos, sculptor
Os anos 70: Depoimento / The seventies: A statement
Entrevista com Vlavianos / Interview with Vlavianos
Os anos 90 / The nineties
Os anos 80 / The eighties
Nicolas Vlavianos
O "essencialismo" de Vlavianos / The "essentialism" of Vlavianos
Atenas, Paris, São Paulo, Nova York / Athens, Paris, Sao Paulo, New York
Um projeto heraclitiano de vida e obra / An Heraclitean life and work project

V l a v i a n o s   e   P a n i a r a s                                                                          Efi Ferentinou
Atenas, 1961

O escultor Nicolas Vlavianos e o pintor Constantinos Paniaras pertencem à nova geração dos artistas gregos que trabalham em Paris. Conheço muito pouco de seus

trabalhos anteriores. Então me restrinjo a falar somente sobre a sensação direta que sua arte produz sobre mim hoje. Os dois artistas são quase autodidatas: poucas aulas e breves estudos com os velhos mestres. O desejo ardente de uma evolução artística independente e uma grande curiosidade de ver, de conhecer e de viver o que está escondido além da realidade, os levou a descobertas pessoais e autênticas. A tendência de suas obras à abstração parece tê-los libertado das fórmulas já conhecidas. Cada um deles evita seguir um caminho já traçado, e procura traduzir as emoções que seu olho e seu espírito experimentam em contato com o mundo exterior.

Sculpture, 1960. Ferro soldado, 55 x 26 x 10 cm.
Col. Haris Vlavianos, Atenas.

O mundo, para Vlavianos, é o elemento místico e primitivo que caracteriza os seres vivos. Símbolos de uma potência invisível, suas esculturas possuem um espírito geral, e adotam uma forma quase abstrata para poder ultrapassar o limitado e o efêmero. O material rígido utilizado — chapas de aço, bronze ou alumínio — torna-se, em suas mãos, suave e expressivo. Ora surgem do metal grupos antropomórficos e enigmáticos, ora animais imaginários ou seres indefinidos. No entanto, em suas composições ontomórficas não faltam absolutamente qualidades escultóricas.

Sculpture, 1960. Latão soldado, 10 x 24 x 6 cm.
Col. particular.
Sculpture, 1960. Latão soldado, 37 x 12 x 7 cm.
Col. Alexandre Vlavianos, São Paulo.

Os traços exteriores de suas fontes de inspiração desaparecem e Vlavianos concentra seu esforço nos problemas próprios da escultura: construção de volumes, feliz equilíbrio formal, harmonia da composição, colocação no espaço.

A inspiração espiritual da suas composições enriquece o conteúdo e o ritmo interior desses trabalhos. Este êxito se deve à ligação entre o espírito de suas obras e a matéria e técnicas empregadas.

Vlavianos consegue assim fazer com que suas chapas metálicas se transformem em formas escultóricas de uma emoção vibrante e também adquiram um caráter monumental, apesar de suas pequenas dimensões.
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Efi Ferentinou
Atenas, 1961