Vlavianos, passado e presente / Vlavianos, past and present
Paris 1956 -1961
Vlavianos e Paniaras / Vlavianos and Paniaras
Os anos 60: Vlavianos / The sixties: Vlavianos
Vlavianos, escultor / Vlavianos, sculptor
Os anos 70: Depoimento / The seventies: A statement
Entrevista com Vlavianos / Interview with Vlavianos
Os anos 90 / The nineties
Os anos 80 / The eighties
Nicolas Vlavianos
O "essencialismo" de Vlavianos / The "essentialism" of Vlavianos
Atenas, Paris, São Paulo, Nova York / Athens, Paris, Sao Paulo, New York
Um projeto heraclitiano de vida e obra / An Heraclitean life and work project


Nicolas  Vlavianos:   Magia e Máquinas                      Jonathan Goodman
Nova York, maio de 2003

Nascido em fevereiro de 1929, Nicolas Vlavianos deixou Atenas em 1956, aos 27 anos, para se tornar um artista. Ele permaneceu em Paris por cinco anos,

optando por aprender escultura na Academie de la Grande Chaumière com o escultor Ossip Zadkine. Em 1961, realizou sua primeira individual no Institut Français de Atenas e acompanhou uma delegação de artistas gregos a São Paulo para participar da VI Bienal Internacional. Ele decidiu ficar em São Paulo, onde casou-se, formou uma família e desenvolveu sua carreira até os dias de hoje. Estes são fatos que descrevem a vida de um escultor dedicado, mas que não fazem justiça ao simbólico e complexo trabalho que caracteriza sua obra, a qual confronta tanto os elementos da natureza quanto os princípios industriais da vida urbana. Um artista de dualidades, de civilização sutil e energia pura, as esculturas em metal e aço inox de Vlavianos celebram as energias primitivas expressas através do uso altamente sofisticado de processos industriais.

A fusão de opostos feita por Vlavianos resulta em declarações que podem ser lidas tanto de maneira abstrata quanto figurativamente, ou até como uma combinação delas. Ele disse em uma entrevista: "O problema é encontrar a relação entre mecanismo e vitalismo". Apesar de seu trabalho utilizar freqüentemente formas mecanizadas e ter aparência mecânica, existe um elemento barroco que aparece desde cedo em sua arte, como por exemplo nos pássaros, homens-pássaros e astronautas de ferro soldado e aço inoxidável dos anos 60. Estas formas, com seus braços e asas horizontais, rendem homenagem não somente às emoções do vôo, mas também às técnicas industriais - solda e rebite - usadas para construir a composição. Estas esculturas estilizadas, apesar de seus sinais óbvios de processos industriais, comunicam um sentido mágico do homem, inspirado por um significado totêmico da possibilidade humana. As formas soldadas e polidas de aço inoxidável de Vlavianos nos anos 70 e as mecânicas dos anos 80 demonstram um sentido triunfante de materiais; estas obras mais abstratas realçam a máquina e a repetição das formas, para expressar a energia pura e a elegância do aço.

Os pistões e cilindros que compõem a obra de Vlavianos são tratados como formas autônomas e, contudo, são ao mesmo tempo subordinados à gestalt total da escultura. Nas obras de sua exposição atual, o artista criou uma série de escudos ou mandalas metálicas. A série mandalas consiste em um grupo de lâminas de bronze e aço inox rebitadas a uma banda externa, tiras de metal se movem para dentro em direção ao centro do círculo, onde terminam livres ou são parafusadas ou soldadas. Um triunfo do trabalho em metal, as mandalas na tradição budista são usadas para auxiliar a contemplação, e também uma referência à roda da vida, levando consigo o sentimento de inevitabilidade.

Torre (2003) é composto por um conjunto de tiras verticais de bronze e aço inox parafusadas umas às outras e a um círculo no topo e na base da obra. Há também uma escultura em V, novamente em bronze e aço, que na sua curvatura elegante, abstrata, as finas tiras de metal representam um pássaro em vôo. Do mesmo modo, a Torre de Babel de Vlavianos, uma forma em cunha que estreita ao elevar-se, é uma graciosa escultura também construída em bronze e aço inox. Ela lembra uma história bíblica, porém atuaizada para ponderação contemporânea. A conquista de Vlavianos é relembrar formas antigas e renová-las através de processos e materiais industriais. Ele tanto olha para trás - para as antigas culturas e mitos, quanto para frente - para suas interpretações futuras.

A habilidade técnica com a qual constrói suas esculturas é notável por sua capacidade de sugerir alegorias da vida moderna, sem nunca perder de vista o mítico, a maneira com que transforma formas simples e as faz símbolos do visionário. Ele é internamente arcaico na sua apreciação das possibilidades humanas; seus astronautas são as contrapartidas modernas de Odisseu e outros antigos guerreiros. Um artista de habilidade consumada, Vlavianos revive velhas estórias e formas e as revisa para uso na vida contemporânea. Não é comum um artista usar materiais como aço inoxidável na interpretação das mitologias tradicionais, no entanto, ele o faz com habilidade notável. As experiências do artista nos confirmam o papel primordial do escultor. Vendo suas recentes mandalas nos lembramos da grandeza do Escudo de Aquiles. Sua obra, ao mesmo tempo venerável e contemporânea, abstrata e representativa aumenta a amplitude da expressão na escultura e narra, novamente, as velhas estórias dos artefatos, dos personagens míticos.


Jonathan Goodman
Greekworks.com