Vlavianos, passado e presente / Vlavianos, past and present
Paris 1956 -1961
Vlavianos e Paniaras / Vlavianos and Paniaras
Os anos 60: Vlavianos / The sixties: Vlavianos
Vlavianos, escultor / Vlavianos, sculptor
Os anos 70: Depoimento / The seventies: A statement
Entrevista com Vlavianos / Interview with Vlavianos
Os anos 90 / The nineties
Os anos 80 / The eighties
Nicolas Vlavianos
O "essencialismo" de Vlavianos / The "essentialism" of Vlavianos
Atenas, Paris, São Paulo, Nova York / Athens, Paris, Sao Paulo, New York
Um projeto heraclitiano de vida e obra / An Heraclitean life and work project


N i c o l a s    V l a v i a n o s                                                        Hedy O'Beil
Nova York, 1985

Embora pequenas em escala, as esculturas de aço inoxidável de Nicolas Vlavianos existem como monumentos do século vinte exaltando a indústria e

tecnologia. Iguais na precisão das máquinas, são impecavelmente construídas de maneira que suas partes se encaixam compondo uma sólida estrutura. Feitos de placas de aço, cortadas, dobradas e soldadas, as formas são unidas por rebites para a eternidade. De fato, as peças contêm o aspecto de tempo sem fim, de ícones que existirão para sempre como louvor à idade da máquina.

Liso-brilhante, refletindo como espelho, suas superfícies são frontais. Geralmente, elas prendem no corpo de suas formas geométricas uma massa de formas orgânicas centralizadas. Grupos de discos ou varas são abrigadas desta forma, numa associação ao orgânico. Apesar do senso dominante do trabalho ser rígido e forte, existe um outro componente que faz a totalidade — a parte modificadora, suave.

Percebemos estas esculturas como superbas metáforas sobre o ser humano, como símbolo do masculino, do feminino, do inteclectual, da geometria, nas suas oposições mas na sua complementariedade, o poético e o orgânico. A força do trabalho, a ênfase na precisão é enriquecida mais ainda pelos planos, pela forma que toda a composição conjuga. Rebites são propositadamente expostos e existem tanto como evidência do processo (produção da arte) como partes do desenho formal.

Enquanto abstrato, algumas das esculturas referem-se a paisagens. Em uma dessas esculturas, uma peça com sua parte interior aberta de formas biomórficas, foram feitas rugas e sulcos que foram escurecidos para lembrar a terra. Saindo dessa abertura, emerge um fragmento tridimensional, somando profundidade espacial com qualidade.

O tema formal de abertura e fechamento dos espaços é levado durante grande parte do trabalho. Em uma peça, a profusão de varas intrincadas, entornada do centro, como vísceras do corpo humano. Em outros trabalhos, dentro de uma coluna retangular, uma lista horizontal de discos de tamanhos irregulares é compactada no centro. Aqui, o senso do mistério e do sepultamento foi sugerido, talvez a apresentação de um amuleto mágico. No centro, de cima para baixo, uma rachadura serpenteia descendo o aço cinza, suas bordas presas firmemente na estrutura por pequenos rebites utilizados na construção.

Dentro de suas esculturas que demonstram ambos poder e energia, o elemento humano faz-se presente, sutilmente modificado. Aqui não há ornamentação, nem entretenimento, somente quando se faz necessário fazer a mensagem implícita na obra. Vlavianos mostra que é um mestre artesão retratando as qualidades das experiências humanas dentro da dureza, linguagem abstrata rigorosa.

Hedy O’Beil
Nova York, 1985