Vlavianos, passado e presente / Vlavianos, past and present
Paris 1956 -1961
Vlavianos e Paniaras / Vlavianos and Paniaras
Os anos 60: Vlavianos / The sixties: Vlavianos
Vlavianos, escultor / Vlavianos, sculptor
Os anos 70: Depoimento / The seventies: A statement
Entrevista com Vlavianos / Interview with Vlavianos
Os anos 90 / The nineties
Os anos 80 / The eighties
Nicolas Vlavianos
O "essencialismo" de Vlavianos / The "essentialism" of Vlavianos
Atenas, Paris, São Paulo, Nova York / Athens, Paris, Sao Paulo, New York
Um projeto heraclitiano de vida e obra / An Heraclitean life and work project


V l a v i a n o s                                                                          Aracy Amaral
São Paulo, 1962

Grandes massas construtivas, plenas de solidez arquitetônica, compactas, sobrepostas em blocos (como muros, paredes, edificação enfim) constituem a

própria base da escultura de Vlavianos, um artista que traz, densamente infiltrada em sua obra, a tradição arquitetônica de sua pátria, a Grécia.

Sua chegada ao Brasil parece, contudo, renovar seus caminhos, abrindo espaços em suas esculturas mais recentes, de ritmo nervoso — acentuado, por exemplo, nas sucessões rítmicas dos pregos enfileirados — e se tornam mais ágeis no flexionar dos grandes blocos que são a base de cada trabalho. Surgem os vazios, os segundos-planos distantes, fendas esguias por entre as soldas dos pregos longos com pedaços de ferro.

A imponência das construções de Vlavianos ganha, assim, uma seiva nova (nestes trabalhos que estão acima de qualquer classificação que se Ihes queira dar: "escultura só", "quadro-escultura" ou "antiescultura" — que importa?). É uma nova dimensão para o artista, emergida talvez por estar ele longe do contato com o meio artístico avassalador de Paris e com sua chegada ao Brasil.

E suas formas deslocadas, transpassadas, se movem agora em soldas mais visíveis, desaparecendo os limites tranqüilos das composições que trouxera da Europa. As pontas agressivas sugerem direções múltiplas, numa diversificação de movimento.

Mas Vlavianos é sempre fiel ao alicerce, à terra como base da construção. Por mais vital e forte que seja a sua linguagem — assim como a rústica expressividade dos materiais escolhidos — suas linhas tendem inexoravelmente para o solo. E o movimento dos pregos em série soldados, e das massas em ascensão depois da expansão evolutiva cheia de vigor, eis que se fecha em si mesmo como numa aceitação humilde e rude do encerrar de um ciclo natural.

Sugestões de pássaros agourentos, animais, formas marinhas fluidas constituem alguns dos temas constantes de Vlavianos, que representa, entre nós, a mais jovem geração grega de escultura.

Aracy Amaral
São Paulo, 1962